domingo, 12 de abril de 2020

A ordem do dia: VIVER!



Hoje, para aqueles que acreditam em Jesus Cristo, é um dia especial para celebrar a vida. A ressurreição! Para outros, a data é somente comercial. Dia de comprar ovos de chocolate ....
Eu trago uma proposta para vocês que estão me lendo nesse momento:
Aproveitemos, não só hoje, mas sempre para celebrar a vida.
A sua vida.
A nossa vida.
A vida como bem comum.
A vida que importa.
É a sua, é a minha, é a nossa, é a dele, é a deles, é a de todas.
Todas as vidas importam!
Todas as vidas merecem ser celebradas!
Todas as vidas merecem o sabor de viver!
Viva! Viva intensamente!
Viva!
Transforme-se!
Adeque-se!
Faça se adequar!
Observe pouco. Viva mais!
Se não há transformação, não há vida! Então viva!
Transforme-se!
Reinvente-se!
Viva!
Não sobreviva! Viva!
Você merece viver!
Eu mereço viver!
Eles merecem viver!
Nós merecemos viver!
Todos merecem viver!
Toda vida importa!
Ah, a vida?
A vida é um sopro... A vida é um pássaro... ela voa! Voa para longe nós! Voa rapidamente! Voa para perto de nós!
A vida oferece a oportunidade de nos repensarmos o tempo inteiro... Reinvente-se... Viva!
Sua vida importa!
Transforme-se! Olhe para o lado e aprenda!
Aproprie-se da sua vida e deixe a vida do outro!
Viva a sua vida e deixe o outro viver a vida dele!
Olhe para o lado e se aproprie do saber e não do lugar que não é seu!
Olhe para o lado e viva!
Aproprie-se da sua vida.....
Viver é uma surpresa.... As vezes dói. Na verdade, muitas vezes dói.
Dói em você!
Dói em mim!
Dói em nós!
Dói neles!
Dói em todos!
Será que tem que doer para ser vida? Não sei!
Mas se doer .... Divida... Compartilhe.... Fale sobre a sua dor!
Você não merece que doa... Ninguém merece sentir dor, seja ela qual for.
Vai doer?
Sim
E se doer?
Compartilhe, fale sobre a sua dor..... é na sua fala que a dor se esvai e o amor emerge....
Fale para quem você ama.... Você não vai incomodar.... Você vai viver...
Viver é isso....
Dividir...
Compartilhar.....
Estabelecer relações....
Desfazer relações e reestabelecer relações, por ventura.
Viver traz felicidade e tristeza....
Se for felicidade?
Compartilhe....
Se for tristeza?
Fale sobre a sua tristeza, suas tristezas!
Você não merece estar triste... Ninguém merece ficar triste, seja por qual motivo for.
Você vai ficar triste?
Sim
E então?
Fale sobre sua tristeza... Comigo... Com ele... Conosco.... Com todos!
É na sua fala que a tristeza se esvai e que o amor emerge.
Viver é amar!
Amar a si mesmo, ao próximo!
E se há alguém que te diga tudo ao contrário do que estou te dizendo aqui, então, preste atenção:
Esse alguém não sabe viver!
Esse alguém deve estar triste!
Esse alguém deve estar com dor!
Então, você vai fazer um favor: ENSINE esse alguém a viver!

Sorria para ele!
Sorria com ele!
Sorria conosco!
Sorria com o mundo!

Rememore todas as oportunidades que a vida já ofereceu e entenda que ela vai te oferecer muitas ainda....
Se estiver difícil para você.... Respire, compartilhe, converse, transforme-se....
E isso ninguém faz sozinho... Faz com outro alguém que viva...
Vivamos intensamente!
Vivamos com responsabilidade!
Vivamos por ontem, por hoje e para sempre.

Viva com muito orgulho do que você é.....
É seu passado que legitima seu presente e seu presente é o que te impulsiona para o futuro.

Viva de verdade!
Viva além da falsa vida das redes sociais!
Viva e se perceba....
Viva, pois você é importante!

Viva, viva, viva!!!!!
Celebre a vida e viva!
Viva por mim!
Viva por você!
Viva por nós!
Viva por eles!
Viva por todos!

E se por alguma razão esse confinamento no qual estamos inseridos está fazendo você pensar que está sozinho ou que não é importante, eu te lembro:
Você é importante para mim!
Você é importante para você!
Você é importante para nós!
Você é importante para eles!
Você é importante para todos!

Lembre-se disso e faça todos a sua volta lembrar disso também!
Nossas vidas importam!
Todas as vidas importam!

Celebremos a vida. A sua, a minha, a nossa, a deles, a de todos!

Bom domingo!
De páscoa!
De vida!
De amor!
De sabedoria!

Fique em casa, mas, por gentileza, viva!

Sua vida é importante!

Victor Magalhães


quinta-feira, 9 de abril de 2020

Coronavírus, Educação à distância, Educação domiciliar (Homeschooling) e o desespero


Não sei se começo esse texto rindo daqueles, cidadãos de bem, que outrora lutavam pelo tal homeschooling ou se inicio chorando pelos meus colegas de profissão que conhecem bem a realidade da educação em um país gerenciado pela absurda insensatez.
            Lembro-me de quando o Excelentíssimo Presidente da República assinou o projeto de lei que regulamentava o ensino domiciliar no Brasil acreditando que essa modalidade de ensino já era uma realidade no país, contudo sem lei que regulamentasse os requisitos mínimos necessários para a efetivação desse. Nessa modalidade os pais assumem o papel de tutores/mediadores do processo de ensino e aprendizagem dos seus filhos.
Uma pergunta: Queridos papais e mamães, estão gostando de ensinar seus filhos? Alunos doces, compreensíveis, educados, oriundos de famílias de bons costumes e excepcional moral? É tão fácil ensinar, não é?  Para ser professor nem precisa de formação, não é? Basta amor, dedicação e uma bíblia debaixo do braço, correto?
Acorda estrelinha do bem !!!!!
Deixa-me pontuar algumas questões para facilitar o seu entendimento, ok?
Mas há algo importante que você família tradicional brasileira precisa saber antes. Você precisa saber por quais motivos eu me sinto no direito de esclarecer essas questões. Você precisa saber por quais motivos estou me dando o direito de ocupar esse lugar de fala, certo?
Como já sabem, sou Victor Magalhães, licenciado em Química, especialista em Psicopedagogia Institucional, Mestre em Química, Doutorando em Ensino de Ciências. Atuo como professor de Química e Ensino de Química no curso de Licenciatura em Química de um Instituto Federal do Rio de Janeiro. Tenho experiência em pesquisa na área de formação de professores, identidade docente, currículo e práxis pedagógica. Sou também coordenador voluntário do Programa Residência Pedagógica. Programa esse que é fruto de uma política pública de incentivo à formação de professores. Atuei durante 5 (cinco) anos como tutor de Educação à distância na maior universidade pública do Rio de Janeiro.
Bom, agora que já sabe um pouquinho mais sobre a minha formação em balbúrdia e orgias, vou te dizer que a loucura envolvida no tal homeschooling se deve à construção de uma identidade coletiva sobre a profissão docente:
A noção de que para ser professor o que menos importa é a formação e o estudo. Os requisitos mínimos, diante desse contexto, para ser professor são: dom, amor, dedicação, estar disposto a sofrer e estar disposto a ganhar pouco.
Essa normalmente é a fala da “sociedade” quando alguém admite querer ser professor. O diálogo é mais ou menos assim:
“Sociedade”: E aí, o que você quer fazer da vida?
Futuro professor: Quero ser professor!
“Sociedade”: Ah que pena! Vai ganhar tão pouco! Não vai ser respeitado! Mas você realmente fala muito bem, tem o dom. É isso aí ... Boa sorte!

Ser professor é muito mais do que ter dom.
Ser professor é muito mais do que ter amor.
Ser professor é muito mais do que ter dedicação.
Ser professor não é ter nascido para sofrer.

Para ser professor é necessário fazer educação. É necessário entender qual é a sua função social. É necessário entender qual é a função social da escola.
Quando você, papai e mamãe, que brada para os 4 cantos do mundo que pode ensinar seu filho em casa, entender esses três pontos, certamente, vai desistir de insistir na ignorância da educação domiciliar nos moldes propostos até o momento.
Preciso também esclarecer que educação domiciliar é diferente de educação à distância (EAD). A primeira modalidade dispensa a presença do professor, já a segunda tem a presença do professor como mediador, além do uso de recursos tecnológicos.
Em se tratando da EAD há também diversas questões a serem apontadas para reflexão.
A primeira delas é que no nosso país não existe formação de professores habilitados para atuar com essa modalidade de ensino. Isso é um fato!
Outro aspecto é que EAD não se faz colocando alunos em frente ao computador para assistirem professores cuspindo conteúdos ao vivo como se estivessem em aula presencial. Essa ação não consiste só em um erro, como também em um atentado à saúde do professor e do aluno. A exposição à luz dos aparelhos eletrônicos durante horas seguidas, assim como a ergonomia são fatores que precisam ser discutidos.
Além disso, a EAD, em um país periférico como o nosso, reforça as desigualdades sociais que se impõem em virtude do acesso aos recursos tecnológicos que a maioria das pessoas insistem em dizer que todos possuem. Essa não é a realidade. Muitos alunos estão em situação de quase miséria. Não possuem computadores, celulares... Eles não têm comida, minha gente!
Você que apoia a EAD já parou para refletir sobre o fato de que muitos professores e alunos não têm conhecimento de informática necessário para trabalhar com essa modalidade de ensino.
            É importante ressaltar também que o currículo para a EAD é e deve ser diferente que o currículo para o Ensino Presencial. Não adianta usar o currículo tradicional à distância. Não funciona!
            Assim, não haverá construção de conhecimento. Só haverá um professor cuspindo conteúdo e um aluno memorizando temporariamente o conteúdo cuspido. É a tal da educação bancária.... Mas você que apoia todos esses absurdos não deve saber o que é educação bancária, já que sua ignorância refuta Paulo Freire mesmo sem saber quais foram as belíssimas contribuições dele para e na Educação, de forma geral.
            Uma pergunta: Você acha que realmente nos tempos em que estamos vivendo, devemos dar aulas à distância para seus filhos sobre os conteúdos tradicionais? Regras gramaticais, distribuição eletrônica, progressão geométrica.....?

            Será que não é tempo de significar o momento que estamos vivendo?
Será que não é momento de significar a solidariedade?
Será que não é momento de significar a justiça social?
Será que não é momento de significar a ignorância daqueles que discordam do isolamento social?
Será que não é momento de significar a blasfêmia do químico autodidata?
Será que não é momento de significar as fake News?

Meus queridos, se você pensa que o currículo tradicional deve ser abordado em virtude da mensalidade do colégio que está pagando ou do cumprimento dos dias letivos obrigatórios para que você não perca a oportunidade de viajar e curtir suas férias quando tudo isso passar, eu preciso te dizer que você não entendeu absolutamente nada. Absolutamente nada sobre educação, sobre mundo, sobre ser, sobre existir...
Você não entendeu nada assim como os políticos que exigem a prática dessa modalidade de ensino nas escolas públicas.
Você já pensou que professores também possuem família? E que para dar aula para o seu exemplar filho ele terá que deixar de significar um monte de coisas para a sua família?
Você já parou para pensar que em momentos de confinamento preservar a saúde mental de todos é prioridade? E que os professores fazem parte desse grupo que chamamos de todos!
Você já parou para pensar que não sabe nada sobre educação, sobre ensino e que por isso não tem o direito de dizer a nós, professores por formação, o que devemos fazer?

Eu sou professor!
Eu sou professor formador de professor!
Eu sou professor e o meu trabalho ao longo dessa caminhada é tentar formar professores que entendam a educação como recurso de emancipação social.
Eu sou professor e tento formar professores que saibam significar contextos e situações com a intenção de diminuir a ignorância e execrar a burrice!
Eu sou professor e faço educação para a democracia. Fascistas não passarão!
Eu sou professor e faço educação para a liberdade!
Eu sou professor, e você estrelinha?


FIQUE EM CASA!

Por Victor Magalhães

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Pandemia, isolamento social, ciência e senso comum


         Em tempos de COVID-19, isolamento social, novas rotinas, novos hábitos, desespero, incerteza, insegurança, medo, insanidade, arrumação de casa, lavagem de roupas, pano molhado com água sanitária, esperança, álcool gel, medo, notícias, notícias falsas, resiliência, home office, homeschooling, filhos, EAD, pais desesperados, professores youtubers, higienização, água e sabão, álcool gel, comunidades sem abastecimento regular de água, socorro, saúde pública, desespero, incerteza, ministério da saúde, OMS, isolamento social, quarentena, respiradores, medo, notícias falsas, insegurança, falta de sanidade mental, discurso genocida, panelas, aplausos, gado, álcool gel, senso comum, governo do estado, relaxamento das medidas de isolamento, descrença, medo, água e sabão, pessoas em situação de rua, empreendedores pobres, economia, novos hábitos, pessoas podem morrer para salvar a economia, pandemia, desconhecimento, senso comum, medo, álcool gel, CIÊNCIA.
            Há de se entender, e já antecipo meus pedidos de desculpa para quem não concordar com a minha fala, que o senso comum também é senso. É legítimo. É o conhecimento experiencial. Conhecimento adquirido através das observações do mundo. Por isso, ressalto, senso comum também é senso. No entanto, senso comum também está inserido no campo do “achismo”, da opinião, da liberdade de expressão que temos em uma democracia, mesmo que jovem como a nossa. E senso comum não refuta a ciência.
SENSO COMUM NÃO REFUTA A CIÊNCIA, mesmo que você pense que sim. Lembre-se que a sua opinião não é valiosa quando estamos vivendo um momento de calamidade pública. A sua opinião não é valiosa para a coletividade quando não se fundamenta em artifícios e verdades científicas.
            A única maneira de resolver ou tentar, pelo menos, resolver problemas de saúde pública é utilizando a ciência. Enfrentar o COVID 19, que está longe de ser uma gripezinha ou um resfriadinho, como homem é enfrenta-lo com a ciência e não com a ignorância ou com o senso comum.
            Não, eu não estou dizendo que quem não é cientista não possui lugar de fala e que sua opinião ou seu achismo não deve ser considerado. Eu estou dizendo que em momentos de calamidade pública, estado de guerra, o conhecimento adequado é aquele aceito cientificamente. Se você não sabe sobre Ciências, mantenha-se calado e acate as recomendações dos cientistas.

“Seja menas” “Seja menas gado!”

            Você pode até não gostar da Rede Globo, mas acreditar que ela manipula evidencias científicas escancaradas para derrubar seu chefe de estado que possui um discurso genocida (quando informa que o isolamento social é besteira) transcende a ignorância.
            Existem dois conceitos importantíssimos que você deve saber para que sobrevivamos e resistamos a esse momento extremamente difícil: RESPONSABILIDADE SOCIAL e CONSCIÊNCIA DE CLASSE.
            A responsabilidade social, dentre muitas outras atribuições, vai impedir você não só de sair de casa em virtude da vida do próximo, como também vai impedir você de publicar aquela foto de um prato de comida lindo nas redes sociais em que você possui amigos que estão em situação de quase miséria.
            A consciência de classe vai te mostrar que mesmo que você ganhe 50.000 reais, se você tem um chefe, você é POBRE!
            Perceba que a preocupação dos governantes com a economia se dá simplesmente pelo fato de que com o isolamento social quem para é a classe trabalhadora. São os trabalhadores que movimentam tudo.
            Você entende o que isso significa ou a sua opinião e achismo funcionam como vendas em um cavalo?
            A economia será recuperada um dia, mas a vida dos que se expuserem a essa doença não. E sim, a vida importa. É a sua opinião que incentiva o total desprezo com a vida do próximo.  É a sua opinião que permite assassinar pretos, pobres, moradores de comunidade, Marielles...
É sim a sua opinião que refuta as ciências sociais. As ciências sociais tentam explicar profundamente essas relações de poder e classe social, mas estamos permitindo há tempos que o senso comum sobreponha essas ciências.
É sim a sua opinião que refuta as ciências médicas. Que refuta as considerações da OMS. É sim a sua opinião que vai matar um grande número de pessoas se você insistir que o isolamento social é besteira.

Senso comum é até senso, mas a ciência, ah, a ciência....
A ciência salva vidas......

Sem a ciência:
Em tempos de COVID-19, isolamento social, novas rotinas, novos hábitos, desespero, incerteza, insegurança, medo, insanidade, arrumação de casa, lavagem de roupas, pano molhado com água sanitária, esperança, álcool gel, medo, notícias, notícias falsas, resiliência, home office, homeschooling, filhos, EAD, pais desesperados, professores youtubers, higienização, água e sabão, álcool gel, comunidades sem abastecimento regular de água, socorro, saúde pública, desespero, incerteza, ministério da saúde, OMS, isolamento social, quarentena, respiradores, medo, notícias falsas, insegurança, falta de sanidade mental, discurso genocida, panelas, aplausos, gado, álcool gel, senso comum, governo do estado, relaxamento das medidas de isolamento, descrença, medo, água e sabão, pessoas em situação de rua, empreendedores pobres, economia, novos hábitos, pessoas podem morrer para salvar a economia, pandemia, desconhecimento, senso comum, medo, álcool gel.

            Com a ciência:
Em tempos de COVID-19, isolamento social, quarentena, novos hábitos, novas rotinas, vacina, medicamentos, menor velocidade de contágio, respiradores, EPIs, álcool gel, hospitais, universidades, vidas importam, vidas salvas.....

Faça-me um favor:

FIQUE EM CASA!

Por Victor Magalhães.


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

É o prego que espera o martelo!!!!

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Na vida turbulenta da cidade, por volta dos anos 2000, os olhos de todos estão voltados para a vida de um jovem casal – Luciana e Pedro.
Conheceram-se quando crianças em uma escola no Ensino Fundamental.
Faziam parte do mesmo grupo de amigos, entretanto o sentimento que vivia neles era somente de amizade. Passavam a semana esperando que pudessem se reunir no sábado para brincar, lanchar e se divertir com a mais pura inocência que uma criança deve possuir.
Como de costume a vida impõe necessidades e, então, os caminhos das pessoas, por vezes, tornam-se distantes. Mas, para esse casal, especificamente, algum tempo depois os rumos da vida fizeram com que tivessem novos encontros. Agora com um pouco mais de idade, Luciana com os cabelos platinados e Pedro com barba grande, ambos com aproximadamente 20 anos. Jovens ainda.
Com mais experiência sobre a vida, saídos de outros relacionamentos, Luciana e Pedro permitiram-se ser tocados por um novo sentimento além da amizade.
Saíram juntos para diversos lugares até que decidiram então iniciar um namoro concretizado por uma aliança de compromisso. Luciana relutara um pouco quando Pedro em uma lanchonete ofereceu-lhe o anel, mas logo incorporou aquela delicadeza em sua pele. Pedro sorriu, como aqueles que estão felizes riem.
A vida de Pedro tinha mudado um pouco em relação à sua fé.
Pedro encontrara um monge que vivia no interior da cidade. Em um lugar que os sons existentes são somente os da natureza, em que tudo gira em torno da natureza, ou seja, um lugar em que a natureza é tratada como eixo essencial da vida.
Pedro era o seu discípulo há uns 6 anos a essa altura. Alguns dos discípulos desse monge possuíam a missão de serem “avatares” da natureza. Entenda avatar como um ser que possui a capacidade de materializar em si uma porção da natureza com a intenção de propagar a paz e o amor ao próximo.
Esses discípulos em preparação precisam, na maioria das vezes, abdicar de muitas rotinas comuns com a finalidade de que percebam e entendam qual, de fato, é a sua missão. Além disso, dependendo da intensidade da sua missão espiritual, a ligação entre discípulo e monge é muito forte. Ao ponto de transcender qualquer outra relação. Principalmente, quando o discípulo tem a missão de dar continuidade à missão do monge.
Luciana, inicialmente, por motivos sentimentais, isto é, em prol da relação de amor que vivia com Pedro, começou a acompanha-lo em suas visitas ao templo localizado no interior da cidade para tentar entender toda essa situação que parece ser muito mais complexa do que de fato é.
Lá Luciana teve a oportunidade de conversar com várias porções da natureza materializadas no monge. Começou um trabalho de redefinição do seu próprio eu. Chorou, sorriu, se encontrou, desencontrou e reencontrou-se.
Luciana gostava de fazer parte daquilo indiretamente. Sempre muito prestativa, ajudava na manutenção do templo (limpeza, organização e tudo mais) desde que permitida.
Em uma sexta feira à noite, Luciana disse ao Pedro que gostaria de sair com ele e seus amigos para dançar e conversar um pouco.
Pedro disse: “Não posso amor, amanhã preciso ir de encontro ao monge para continuar o meu ritual de preparação.”
Luciana sorriu e respondeu: “Sem problemas amor, vamos deixar para amanhã.”
No dia seguinte Luciana acompanhou Pedro em sua missão e ao terminar seu coração já se enchia de alegria. Afinal de contas, eles iriam sair naquele dia para aproveitar um pouco. Já estava tudo combinado. Iriam encontrar os amigos em um restaurante para conversar um pouco e lá decidiram o que fazer a posteirori.
Ao terminar o ritual, voltaram para casa e Luciana falou: “Amor, vamos tomar banho pra sair, né?”
E Pedro respondeu: “Não amor, estou muito cansado hoje. Pensemos em outra oportunidade!”
Luciana sorriu, fez sinal de que entendera a situação e descansou.
Essa situação foi recorrente durante um generoso período.
Luciana entendia todas as questões, mas ao mesmo tempo sentia que aquele relacionamento era difícil. Pensava, inclusive, ser muito difícil ter que abdicar da vida dela também em virtude do seu amor.
Durante um bom tempo, Luciana conversava com seus amigos, com o monge, e fazia questão de enfatizar que aquela situação vivida por eles (o casal), era muito pior do que a vivida pelos outros discípulos do monge.
O monge ouvia as palavras de Luciana e sempre respondia: “Minha filha, você acabou de chegar à vida de Pedro, você começou a frequentar nosso templo sagrado como acompanhante do seu namorado há pouco tempo, portanto, não tem condições de afirmar o quão difícil é a missão de cada um que daqui faz parte. Você está sendo afobada. Lembre que o prego sempre espera o martelo e não o contrário.
Luciana sempre ouviu bem o monge.
O monge deixara Luciana a vontade para conversar com ele sem muitos critérios. No entanto, o que Luciana ainda não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Luciana com tudo isso se sentia bem por oportunizar ao seu companheiro a felicidade de acompanha-lo em suas missões.
O que Luciana não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Luciana dizia tentar entender de fato a situação, mas não conseguia porque sua relação com a espiritualidade proferida pelo monge era superficial.
Luciana tentava, o que Luciana não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Luciana ajudava na missão de Pedro, mas qual era a missão de Luciana, pensava.
Luciana pensava muito sobre isso. O que Luciana não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Certa vez, já bem desesperada com toda essa situação, em um momento em que o monge fazia-se um avatar das águas e que Pedro era o avatar da guerra, Luciana olha para o seu corpo e vê seu corpo mudando de cor. Sua pele branca reluzia muitas cores, Seu coração estava disparado, sua mente confusa, suas pernas dormentes e seu corpo trêmulo e essas sensações intensificaram-se até que ela se transforma em um lindo arco íris.
Sem entender muito aquela vivência ela chora ao retomar os sentidos e pergunta ao monge, o que houve???
E ele responde:
“Essa é a resposta que tanto procura Luciana.
Você não precisou abdicar da sua vida em função da missão do Pedro. Você veio através da missão de Pedro cumprir o seu chamado. E o seu chamado é também ser um avatar. O avatar da renovação dos ciclos. O arco íris é a representação natural dessa renovação, na nossa fé.
Atente-se a duas verdades Luciana:
1) Ninguém cumpre a missão do outro!
2)Aguarde que muitos acontecimentos, ainda, estão previstos na sua vida e no seu desenvolvimento espiritual.”
Luciana, sorriu com lágrimas nos olhos e agradeceu. E o monge complementou:
“Luciana, não esqueça: é o prego que espera o martelo.”





quarta-feira, 24 de outubro de 2018

E continuamos aqui na luta....



Como a maioria dos meus amigos sabe, sou professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Sabe também que fui aluno de graduação (Licenciatura em Química) da mesma instituição e campus no qual atuo como professor de Química e Ensino de Química.
Ensino de Química trata de questões relacionadas à educação. Essa relação entre Educação e Ensino é muito mais densa do que se imagina. E isso, às vezes é um problema. Alguns têm dificuldade de enxergar essa relação.
Atuo além do nível médio, na graduação, especificamente, na licenciatura em Química, mais específico ainda, na formação de futuros professores que atuarão na educação básica.
Educação básica compreende educação infantil, fundamental e médio pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Lei que norteia a educação em nosso país.
O problema é que existem pessoas que não sabem muito sobre a LDB, sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais, sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais, sobre as teorias da educação que fundamentam  o fazer pedagógico do professor, independente da sua formação específica.
Segundo esses documentos o professor, independente da disciplina que leciona, deve formar na educação básica um cidadão que tenha criticidade, isto é, a disciplina específica (química, matemática, física...) é um recurso de formação integral do aluno.
Formação integral que também é um conceito da educação, desconhecido por muitos, refere-se à formação do alunos nas mais diversas perspectivas, inclusive formação para o mundo do trabalho, em caso de educação técnica. Mas o trabalho aqui deve ser tratado a partir do princípio pedagógico.
E aí, também é necessário estudar um pouco sobre isso.
Alguns também desconhecem a necessidade de ler alguns documentos sem esquecer as entrelinhas. O professor precisa ler o que não está escrito, sabe?
Há pouco tempo participei de uma mesa redonda no IFRJ sobre a nova Base Nacional Comum Curricular como palestrante.
Li o documento todo. Reli o documento todo. Li as entrelinhas. Reli as entrelinhas.
A BNCC para o Ensino Médio ainda não foi homologada, mas “muitas” discussões estão acontecendo em torno deste tema.
A Reforma do Ensino Médio também tem sido alvo de discussões.
Só para esclarecer a reforma e a base são documentos diferentes, mas que estão intrinsicamente relacionados.
A base trata do ensino por competências. Leia competências como INSTRUMENTALIZAÇÃO DO ENSINO.
A reforma trará a MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO. O mercado de trabalho será responsável por traçar o perfil do aluno que devemos formar. Isso está certo?
Há pouco foi publicada uma carta com consulta pública que trata desses temas, após um seminário que aconteceu em setembro.
E lá, nas entrelinhas, diz tudo o que relato nesse texto.
Há sim uma tentativa de desmonte dos Institutos Federais.
Se como IF só pudermos oferecer o itinerário formativo da educação profissional significa que seremos impossibilitados de formar o aluno integralmente. Haverá uma ruptura com a identidade dos IFs, fazendo com que os cursos de graduação, também, não sejam mais oferecidos por nós.
Há muitas outras consequências...
E eu, como professor, educador e alguém que pensa e pesquisa a educação não posso fingir que nada está acontecendo.
Não posso negar ao meu aluno o direito de conhecer essas perspectivas.
Mas, Victor, será que isso tudo que você está falando vai acontecer? Não está escrito em lugar algum!
Primeiro, está escrito sim – nas entrelinhas.
Não posso afirmar que isso tudo vai acontecer e no que depender de mim, da minha resistência, não vai acontecer não, mas convido você professor, futuro professor, cidadão a tentar traçar um panorama da educação desde o impedimento da Dilma, quer dizer, do golpe de 2016.
Mas oh, só vale um panorama com fundamentação, tá?

Beijos no coração.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Feliz dia do professor, do mestre, do educador....



Já, várias vezes, escrevi sobre o que sinto em ser professor, na verdade, educador. Há muito pesquiso sobre a formação docente. Sobre os fatores que influenciam a formação e mais precisamente sobre os saberes necessários (acadêmicos e experienciais) para atuar com dignidade como docente e prover dignidade aos alunos que passar por nós. Mais precisamente, pesquiso, atualmente, sobre a construção da identidade docente tanto do professor no exercício das suas funções quanto do professor em formação, nos cursos de licenciatura.
Há muito entendo que o ato pedagógico não é só importante como essencial para o fortalecimento da sociedade como um pilar da vida. Há muito tento entender qual é o papel do professor nos dias atuais em um período pós-industrial em um país periférico. Há muito me debruço nos livros e textos de artigos científicos para estudar sobre como formar um cidadão que esteja apto a ser inserido em uma sociedade. Um cidadão com criticidade, obviamente.
Há muito uso a Química como recurso de formação desse cidadão. Há muito reflito sobre quais são as necessidades daquele ser humano que está em sala de aula comigo. Há muito leio Paulo Freire tentando exorcizar a pedagogia do oprimido das escolas e da comunidade escolar e tento instalar a pedagogia da autonomia.
Há muito como professor tenho sempre bastante a dizer, mas tenho muito mais a ouvir daqueles que muita das vezes não tem voz em casa. Ah, mas na minha sala de aula, quem ocupa o lugar de fala são os meus alunos. Eu, escuto, incito o pensamento crítico e faço a mediação no processo de construção do conhecimento científico quando ciência é tudo que se dá através de um método.
Há muito leciono baseado em minhas convicções, porém ao mesmo tempo em que há muito leciono, aprendo baseado nas convicções dos meus alunos.
Há muito tento tornar minha sala de aula um local democrático, assim como deveria ser a sociedade.
Há muito escuto de pais que a escola é um local de doutrinação ideológica e que os filhos deles não devem se submeter a isso. E quando esses pais viram as costas, seus filhos, meus alunos, pedem desculpa a mim por ter que ouvir isso.
Há muito escuto dos meus alunos que o melhor lugar pra eles é na escola, dentro de sala e que eles não querem voltar para casa. E acreditem são os filhos dos pais que gritam o provimento da educação tradicional.
Há muito tentam amordaçar os professores com argumentos sem sentidos. Há muito, RESISTO!
Há muito percebo que as pessoas não entendem o que se faz na educação pública.
Há muito sinto os colegas de profissão se responsabilizar por erros que não são seus.
Há muito percebo a manutenção do sistema pela mídia e grandes empresários.
Agora, vejo a tal reforma do ensino, ser enaltecida por muitos. Mas, percebo que eles não entendem que tudo se trata da privatização do ensino público. De entregar a educação na mão dos grandes empresários. E que isso se trata de instrumentalizar o ensino. De conferir ao ensino o caráter meramente pragmático. E que isso reforça a divisão entre o fracasso do pobre e o sucesso do rico.
Não entendem que a elite continuará tendo acesso ao ensino superior e que os pobres, as minorias, continuarão sendo formados como mão de obra barata para apertar botões, simplesmente.
E as minorias não acordam porque não se permitem escutar o que nós professores temos a dizer.
Não, nós não somos os que doutrinam. O sistema doutrina. O que nós, professores, fazemos, é tentar mostrar a manipulação e nadar contra a doutrinação.
Há muito escrevo sobre o que é ser professor com felicidade. Hoje, nesse prenúncio de possíveis tempos sombrios, o sentimento que me move é a RESISTÊNCIA.
Eu sou professor e ainda creio que não entregaremos o nosso país na mão de quem quer nos destruir e implantar um regime não democrático.
Eu sou professor e continuarei dando a melhor formação possível para as “crianças” que passam por mim. Entendam crianças, como alunos do ensino médio e universitários, futuros professores.
Eu sou professor e não doutrino.
Eu sou professor e não domo.
Eu sou professor e não categorizo.
Eu sou professor e não diferencio.
Eu sou professor e não prendo almas.
Eu, ah , eu LIBERTO pessoas.
E sim, talvez seja pra você que lê esse texto seja um absurdo eu dizer que LIBERTO alguém. Talvez pra você que lê esse texto, falte humildade da minha parte, mas deixa eu te dizer uma coisa:

- Não falta não. Quer entender?
- Porque estudei muito e continuo estudando. Estudei a educação e a pedagogia no processo sócio-histórico, estudei qual é o papel da escola como instituição educativa, estudei trabalho como princípio pedagógico e não no sentido pragmático. Ah, como eu estudo.....

E você?

FELIZ DIA DOS MESTRES!

#Haddadsim #haddad13