quarta-feira, 7 de novembro de 2018

É o prego que espera o martelo!!!!

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https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-se-forma-o-arco-iris/


Na vida turbulenta da cidade, por volta dos anos 2000, os olhos de todos estão voltados para a vida de um jovem casal – Luciana e Pedro.
Conheceram-se quando crianças em uma escola no Ensino Fundamental.
Faziam parte do mesmo grupo de amigos, entretanto o sentimento que vivia neles era somente de amizade. Passavam a semana esperando que pudessem se reunir no sábado para brincar, lanchar e se divertir com a mais pura inocência que uma criança deve possuir.
Como de costume a vida impõe necessidades e, então, os caminhos das pessoas, por vezes, tornam-se distantes. Mas, para esse casal, especificamente, algum tempo depois os rumos da vida fizeram com que tivessem novos encontros. Agora com um pouco mais de idade, Luciana com os cabelos platinados e Pedro com barba grande, ambos com aproximadamente 20 anos. Jovens ainda.
Com mais experiência sobre a vida, saídos de outros relacionamentos, Luciana e Pedro permitiram-se ser tocados por um novo sentimento além da amizade.
Saíram juntos para diversos lugares até que decidiram então iniciar um namoro concretizado por uma aliança de compromisso. Luciana relutara um pouco quando Pedro em uma lanchonete ofereceu-lhe o anel, mas logo incorporou aquela delicadeza em sua pele. Pedro sorriu, como aqueles que estão felizes riem.
A vida de Pedro tinha mudado um pouco em relação à sua fé.
Pedro encontrara um monge que vivia no interior da cidade. Em um lugar que os sons existentes são somente os da natureza, em que tudo gira em torno da natureza, ou seja, um lugar em que a natureza é tratada como eixo essencial da vida.
Pedro era o seu discípulo há uns 6 anos a essa altura. Alguns dos discípulos desse monge possuíam a missão de serem “avatares” da natureza. Entenda avatar como um ser que possui a capacidade de materializar em si uma porção da natureza com a intenção de propagar a paz e o amor ao próximo.
Esses discípulos em preparação precisam, na maioria das vezes, abdicar de muitas rotinas comuns com a finalidade de que percebam e entendam qual, de fato, é a sua missão. Além disso, dependendo da intensidade da sua missão espiritual, a ligação entre discípulo e monge é muito forte. Ao ponto de transcender qualquer outra relação. Principalmente, quando o discípulo tem a missão de dar continuidade à missão do monge.
Luciana, inicialmente, por motivos sentimentais, isto é, em prol da relação de amor que vivia com Pedro, começou a acompanha-lo em suas visitas ao templo localizado no interior da cidade para tentar entender toda essa situação que parece ser muito mais complexa do que de fato é.
Lá Luciana teve a oportunidade de conversar com várias porções da natureza materializadas no monge. Começou um trabalho de redefinição do seu próprio eu. Chorou, sorriu, se encontrou, desencontrou e reencontrou-se.
Luciana gostava de fazer parte daquilo indiretamente. Sempre muito prestativa, ajudava na manutenção do templo (limpeza, organização e tudo mais) desde que permitida.
Em uma sexta feira à noite, Luciana disse ao Pedro que gostaria de sair com ele e seus amigos para dançar e conversar um pouco.
Pedro disse: “Não posso amor, amanhã preciso ir de encontro ao monge para continuar o meu ritual de preparação.”
Luciana sorriu e respondeu: “Sem problemas amor, vamos deixar para amanhã.”
No dia seguinte Luciana acompanhou Pedro em sua missão e ao terminar seu coração já se enchia de alegria. Afinal de contas, eles iriam sair naquele dia para aproveitar um pouco. Já estava tudo combinado. Iriam encontrar os amigos em um restaurante para conversar um pouco e lá decidiram o que fazer a posteirori.
Ao terminar o ritual, voltaram para casa e Luciana falou: “Amor, vamos tomar banho pra sair, né?”
E Pedro respondeu: “Não amor, estou muito cansado hoje. Pensemos em outra oportunidade!”
Luciana sorriu, fez sinal de que entendera a situação e descansou.
Essa situação foi recorrente durante um generoso período.
Luciana entendia todas as questões, mas ao mesmo tempo sentia que aquele relacionamento era difícil. Pensava, inclusive, ser muito difícil ter que abdicar da vida dela também em virtude do seu amor.
Durante um bom tempo, Luciana conversava com seus amigos, com o monge, e fazia questão de enfatizar que aquela situação vivida por eles (o casal), era muito pior do que a vivida pelos outros discípulos do monge.
O monge ouvia as palavras de Luciana e sempre respondia: “Minha filha, você acabou de chegar à vida de Pedro, você começou a frequentar nosso templo sagrado como acompanhante do seu namorado há pouco tempo, portanto, não tem condições de afirmar o quão difícil é a missão de cada um que daqui faz parte. Você está sendo afobada. Lembre que o prego sempre espera o martelo e não o contrário.”
Luciana sempre ouviu bem o monge.
O monge deixara Luciana a vontade para conversar com ele sem muitos critérios. No entanto, o que Luciana ainda não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Luciana com tudo isso se sentia bem por oportunizar ao seu companheiro a felicidade de acompanha-lo em suas missões.
O que Luciana não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Luciana dizia tentar entender de fato a situação, mas não conseguia porque sua relação com a espiritualidade proferida pelo monge era superficial.
Luciana tentava, o que Luciana não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Luciana ajudava na missão de Pedro, mas qual era a missão de Luciana, pensava.
Luciana pensava muito sobre isso. O que Luciana não sabia era como lidar com essa situação que se mostrava cada vez mais intensa e, portanto, difícil!
Certa vez, já bem desesperada com toda essa situação, em um momento em que o monge fazia-se um avatar das águas e que Pedro era o avatar da guerra, Luciana olha para o seu corpo e vê seu corpo mudando de cor. Sua pele branca reluzia muitas cores, Seu coração estava disparado, sua mente confusa, suas pernas dormentes e seu corpo trêmulo e essas sensações intensificaram-se até que ela se transforma em um lindo arco íris.
Sem entender muito aquela vivência ela chora ao retomar os sentidos e pergunta ao monge, o que houve???
E ele responde:
“Essa é a resposta que tanto procura Luciana.
Você não precisou abdicar da sua vida em função da missão do Pedro. Você veio através da missão de Pedro cumprir o seu chamado. E o seu chamado é também ser um avatar. O avatar da renovação dos ciclos. O arco íris é a representação natural dessa renovação, na nossa fé.
Atente-se a duas verdades Luciana:
1) Ninguém cumpre a missão do outro!
2)Aguarde que muitos acontecimentos, ainda, estão previstos na sua vida e no seu desenvolvimento espiritual.”
Luciana, sorriu com lágrimas nos olhos e agradeceu. E o monge complementou:
“Luciana, não esqueça: é o prego que espera o martelo.”





quarta-feira, 24 de outubro de 2018

E continuamos aqui na luta....



Como a maioria dos meus amigos sabe, sou professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Sabe também que fui aluno de graduação (Licenciatura em Química) da mesma instituição e campus no qual atuo como professor de Química e Ensino de Química.
Ensino de Química trata de questões relacionadas à educação. Essa relação entre Educação e Ensino é muito mais densa do que se imagina. E isso, às vezes é um problema. Alguns têm dificuldade de enxergar essa relação.
Atuo além do nível médio, na graduação, especificamente, na licenciatura em Química, mais específico ainda, na formação de futuros professores que atuarão na educação básica.
Educação básica compreende educação infantil, fundamental e médio pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Lei que norteia a educação em nosso país.
O problema é que existem pessoas que não sabem muito sobre a LDB, sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais, sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais, sobre as teorias da educação que fundamentam  o fazer pedagógico do professor, independente da sua formação específica.
Segundo esses documentos o professor, independente da disciplina que leciona, deve formar na educação básica um cidadão que tenha criticidade, isto é, a disciplina específica (química, matemática, física...) é um recurso de formação integral do aluno.
Formação integral que também é um conceito da educação, desconhecido por muitos, refere-se à formação do alunos nas mais diversas perspectivas, inclusive formação para o mundo do trabalho, em caso de educação técnica. Mas o trabalho aqui deve ser tratado a partir do princípio pedagógico.
E aí, também é necessário estudar um pouco sobre isso.
Alguns também desconhecem a necessidade de ler alguns documentos sem esquecer as entrelinhas. O professor precisa ler o que não está escrito, sabe?
Há pouco tempo participei de uma mesa redonda no IFRJ sobre a nova Base Nacional Comum Curricular como palestrante.
Li o documento todo. Reli o documento todo. Li as entrelinhas. Reli as entrelinhas.
A BNCC para o Ensino Médio ainda não foi homologada, mas “muitas” discussões estão acontecendo em torno deste tema.
A Reforma do Ensino Médio também tem sido alvo de discussões.
Só para esclarecer a reforma e a base são documentos diferentes, mas que estão intrinsicamente relacionados.
A base trata do ensino por competências. Leia competências como INSTRUMENTALIZAÇÃO DO ENSINO.
A reforma trará a MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO. O mercado de trabalho será responsável por traçar o perfil do aluno que devemos formar. Isso está certo?
Há pouco foi publicada uma carta com consulta pública que trata desses temas, após um seminário que aconteceu em setembro.
E lá, nas entrelinhas, diz tudo o que relato nesse texto.
Há sim uma tentativa de desmonte dos Institutos Federais.
Se como IF só pudermos oferecer o itinerário formativo da educação profissional significa que seremos impossibilitados de formar o aluno integralmente. Haverá uma ruptura com a identidade dos IFs, fazendo com que os cursos de graduação, também, não sejam mais oferecidos por nós.
Há muitas outras consequências...
E eu, como professor, educador e alguém que pensa e pesquisa a educação não posso fingir que nada está acontecendo.
Não posso negar ao meu aluno o direito de conhecer essas perspectivas.
Mas, Victor, será que isso tudo que você está falando vai acontecer? Não está escrito em lugar algum!
Primeiro, está escrito sim – nas entrelinhas.
Não posso afirmar que isso tudo vai acontecer e no que depender de mim, da minha resistência, não vai acontecer não, mas convido você professor, futuro professor, cidadão a tentar traçar um panorama da educação desde o impedimento da Dilma, quer dizer, do golpe de 2016.
Mas oh, só vale um panorama com fundamentação, tá?

Beijos no coração.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Feliz dia do professor, do mestre, do educador....



Já, várias vezes, escrevi sobre o que sinto em ser professor, na verdade, educador. Há muito pesquiso sobre a formação docente. Sobre os fatores que influenciam a formação e mais precisamente sobre os saberes necessários (acadêmicos e experienciais) para atuar com dignidade como docente e prover dignidade aos alunos que passar por nós. Mais precisamente, pesquiso, atualmente, sobre a construção da identidade docente tanto do professor no exercício das suas funções quanto do professor em formação, nos cursos de licenciatura.
Há muito entendo que o ato pedagógico não é só importante como essencial para o fortalecimento da sociedade como um pilar da vida. Há muito tento entender qual é o papel do professor nos dias atuais em um período pós-industrial em um país periférico. Há muito me debruço nos livros e textos de artigos científicos para estudar sobre como formar um cidadão que esteja apto a ser inserido em uma sociedade. Um cidadão com criticidade, obviamente.
Há muito uso a Química como recurso de formação desse cidadão. Há muito reflito sobre quais são as necessidades daquele ser humano que está em sala de aula comigo. Há muito leio Paulo Freire tentando exorcizar a pedagogia do oprimido das escolas e da comunidade escolar e tento instalar a pedagogia da autonomia.
Há muito como professor tenho sempre bastante a dizer, mas tenho muito mais a ouvir daqueles que muita das vezes não tem voz em casa. Ah, mas na minha sala de aula, quem ocupa o lugar de fala são os meus alunos. Eu, escuto, incito o pensamento crítico e faço a mediação no processo de construção do conhecimento científico quando ciência é tudo que se dá através de um método.
Há muito leciono baseado em minhas convicções, porém ao mesmo tempo em que há muito leciono, aprendo baseado nas convicções dos meus alunos.
Há muito tento tornar minha sala de aula um local democrático, assim como deveria ser a sociedade.
Há muito escuto de pais que a escola é um local de doutrinação ideológica e que os filhos deles não devem se submeter a isso. E quando esses pais viram as costas, seus filhos, meus alunos, pedem desculpa a mim por ter que ouvir isso.
Há muito escuto dos meus alunos que o melhor lugar pra eles é na escola, dentro de sala e que eles não querem voltar para casa. E acreditem são os filhos dos pais que gritam o provimento da educação tradicional.
Há muito tentam amordaçar os professores com argumentos sem sentidos. Há muito, RESISTO!
Há muito percebo que as pessoas não entendem o que se faz na educação pública.
Há muito sinto os colegas de profissão se responsabilizar por erros que não são seus.
Há muito percebo a manutenção do sistema pela mídia e grandes empresários.
Agora, vejo a tal reforma do ensino, ser enaltecida por muitos. Mas, percebo que eles não entendem que tudo se trata da privatização do ensino público. De entregar a educação na mão dos grandes empresários. E que isso se trata de instrumentalizar o ensino. De conferir ao ensino o caráter meramente pragmático. E que isso reforça a divisão entre o fracasso do pobre e o sucesso do rico.
Não entendem que a elite continuará tendo acesso ao ensino superior e que os pobres, as minorias, continuarão sendo formados como mão de obra barata para apertar botões, simplesmente.
E as minorias não acordam porque não se permitem escutar o que nós professores temos a dizer.
Não, nós não somos os que doutrinam. O sistema doutrina. O que nós, professores, fazemos, é tentar mostrar a manipulação e nadar contra a doutrinação.
Há muito escrevo sobre o que é ser professor com felicidade. Hoje, nesse prenúncio de possíveis tempos sombrios, o sentimento que me move é a RESISTÊNCIA.
Eu sou professor e ainda creio que não entregaremos o nosso país na mão de quem quer nos destruir e implantar um regime não democrático.
Eu sou professor e continuarei dando a melhor formação possível para as “crianças” que passam por mim. Entendam crianças, como alunos do ensino médio e universitários, futuros professores.
Eu sou professor e não doutrino.
Eu sou professor e não domo.
Eu sou professor e não categorizo.
Eu sou professor e não diferencio.
Eu sou professor e não prendo almas.
Eu, ah , eu LIBERTO pessoas.
E sim, talvez seja pra você que lê esse texto seja um absurdo eu dizer que LIBERTO alguém. Talvez pra você que lê esse texto, falte humildade da minha parte, mas deixa eu te dizer uma coisa:

- Não falta não. Quer entender?
- Porque estudei muito e continuo estudando. Estudei a educação e a pedagogia no processo sócio-histórico, estudei qual é o papel da escola como instituição educativa, estudei trabalho como princípio pedagógico e não no sentido pragmático. Ah, como eu estudo.....

E você?

FELIZ DIA DOS MESTRES!

#Haddadsim #haddad13

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Surpresa como renovação

            Como sempre, nada diferente de todos os outros dias, às 12h o almoço tinha sido servido, sua esposa, Graça, colocara o prato, os talheres, o copo e a xícara; para ao término da refeição servir o café forte, quente e com pouco açúcar; e então João sai do banho e senta-se para dar início aquele ritual diário.
            Fez sua prece e agradeceu ao seu santo de devoção, São Miguel Arcanjo, pela comida, por sua saúde, pela saúde da sua esposa e dos seus filhos. Sua esposa sabia que ele terminaria o almoço, começaria a tomar o café e quando da metade da xícara ele pediria licença, pegaria seu maço de cigarros de palha e sentaria na varanda de frente para o jardim.
            E, como ela o observava há alguns muitos anos, 32 anos, tudo ocorrera em conformidade com seu pensamento. João sentou-se em um banco de madeira encostado à parede, acendeu seu cigarro, olhou para o jardim, para o sol entre nuvens, para ela e ali, como sempre, ficaria conversando consigo mesmo durante aproximadamente duas horas.
            Ah se aquele banco pudesse falar. ...
            Ele provavelmente dividiria todas as angústias, felicidades, tristezas, questionamentos de João. O banco também seria capaz de falar detalhadamente sobre o homem que se transformou ao longo dos 32 anos de amizade leal, já que o banco, mesmo reformado diversas vezes, sempre foi o mesmo.
            João não costumava trocar nenhuma rotina, nenhum hábito, absolutamente nada.
            O banco de madeira assistiu todos os aniversários de João e Graça e também assistiu todos os aniversários de casamento dos dois. Ele sabia que nessa data, aniversário de casamento, João, depois do almoço além de sentar e pensar, levantava e no próprio jardim colhia as flores para sua esposa que vinham sempre acompanhadas de uma carta escrita num papel simples:
E
U
T
E
A
M
O
            Graça sempre recompensava seu esposo com um sorriso, um beijo na testa, um abraço e dizia as seguintes palavras: Eu te amo mais meu amado!
            A essa altura, cheias de vida eram mesmo somente as flores. João e Graça já haviam experimentado muitos desconfortos em virtude da limitação física que abate qualquer um. Os sentimentos não eram mais prematuros nem muito menos imaturos. Tinham uma solidez até bastante aterrorizante.
            Tanto aterrorizante que Graça entregou-se a crença de que não era mais amor. Era costume, como todas as outras rotinas do João.
            João era fechado no convívio social. João gostava de ir para cama cedo. João gostava mesmo era de ficar em casa e curtir o ambiente com sua esposa. A única que naturalmente ficou, pois os filhos construíram suas famílias e como era de se esperar apareciam para visitas esporádicas. Mas isso, de nenhuma forma, deixava os dois chateados. Eles tinham desde o início a certeza de que isso aconteceria.
            Durante esse percurso matrimonial, João olhou para o lado, Graça olhou para o lado, mas nada que fizesse com que eles desviassem dos seus caminhos retos e entrelaçados.
            O aniversário de 33 anos de casamento aproximava-se e Graça preparava-se para receber suas flores e sua carta com o mesmo dizer de sempre. Sempre havia uma esperança de que João pudesse fazer algo diferente, mas como ele faria se todos os dias ele repetia os mesmos gestos, os mesmos hábitos!?
            Não seria diferente esse ano também!
            E então no aguardado dia, João almoçou, tomou seu café até a metade, levantou-se, fumou seu cigarro de palha, conversou consigo mesmo durante duas horas, colheu flores, escreveu a carta e foi em direção à Graça que já estava preparada para responder ao amado com as mesmas palavras.
            Ao receber a carta ela teve uma surpresa com o que estava escrito:

            Querida esposa, minha saúde já não anda nas melhores condições e então resolvi alerta-la sobre algo: VOCÊ NUNCA VIU O VERSO DAS MINHAS CARTAS! Assim que possível, faça isso! E só leia o verso desta carta quando tiver lido o de todas as outras.

            Desta vez Graça não respondeu nada e correu para ler as outras 32 cartas.
            João foi ao quarto viu sua esposa sentada na beira da cama com a caixa onde guardava todas as cartas, deu um beijo em sua testa e disse que estaria sentado na varanda até que ela acabasse de ler tudo o que precisava. E assim ele fez.

            Graça não sabia o que estava sentindo, começou a ler o verso de todas as cartas e não conteve as lágrimas. Basicamente todas elas tinham dizeres lindíssimos. Ele fazia um resumo sobre o quão maravilhoso tinha sido mais um ano viver ao lado dela e, além disso, em todas elas, no final, tinha um objetivo que ele gostaria de traçar com ela para o próximo ano.
            Graça estava em desespero, sentindo-se mal em não ter percebido esse gesto do marido. Pensou em quantas oportunidades deixou de aproveitar por não ter percebido as cartas da maneira que o marido gostaria, mas uma carta, em específico, marcou Graça.
            A carta do ano passado, a de 32 anos de casamento. Nela estava escrito:

“Minha querida e amada esposa, durante todos esses anos, tentei dizer a ti que os hábitos fazem parte da vida e que a rotina nem sempre é ruim quando estamos ao lado de quem amamos. Entretanto, a quebra dos hábitos convencionais, em algumas situações, demanda o esforço de dois que se unem em um. Embora você nunca tivesse dito, eu consigo perceber a sua insatisfação com a minha postura. E, realmente, ela é cansativa, mas o que você não percebeu é que você só consegue descrever a minha rotina em detalhes porque em todos os momentos você esteve sentada me observando enquanto eu sentava e rezava para que você relesse as minhas cartas.
Você sempre quis que eu te surpreendesse e eu tentei fazer isso durante todos esses anos, no entanto, lembre-se meu amor que o passo inicial para tudo é surpreender a si mesmo.
Eu te amo demais e te amarei para toda a eternidade. Nunca é tarde.”

            Graça não sentiu culpa.
Graça não ficou chateada.
Graça entendia o que ele queria dizer.
Graça sabia que ele podia falar sobre tudo aquilo em vez de escrever, mas também percebeu que as falas podem ser também unicamente habituais.
Graça estava feliz e queria mesmo era conseguir arrumar uma maneira de surpreender a si mesma e o marido.
Assim Graça correu para a varanda e quando chegou lá viu que o tempo passara e somente as flores estavam cheias de vida e então finalmente leu o verso da carta de 33 anos:
Não perca mais tempo, SURPREENDA-SE!




            

terça-feira, 7 de março de 2017

Sai daqui seu opressor!!!!


E mesmo que se insista em dizer que o Dia Internacional da Mulher é uma data comercial, eu prefiro dizer que é o dia em que devemos falar mais e outra vez sobre o empoderamento feminino.
Ah! O empoderamento da mulher.....
Ah se você soubesse o quão forte é aquela mulher.
Ah se você soubesse o quão inteligente é aquela mulher.
Ah se você soubesse o quão especial é aquela mulher.
Ah se você soubesse a capacidade de articulação de conhecimento que aquela mulher tem.
Ah se você soubesse como as mulheres não têm culpa de serem estupradas.
Ah se você soubesse que a mulher é dona do seu corpo e de suas vontades.
Ah se você soubesse que a mulher pode escolher sua profissão.
Ah se você soubesse que a mulher, na maioria das vezes, poderá te ajudar pessoal e profissionalmente.
Ah se você soubesse que qualquer um pode fazer o que uma mulher faz...
Ah se você soubesse que qualquer um pode fazer o que um homem faz.....
Ah se você soubesse que qualquer um pode fazer o que qualquer pessoa faz....
Ah se você soubesse, Marie Curie.
Ah se você soubesse, Simone de Beauvoir.
Ah se você soubesse, Frida Kahlo.
Ah se você soubesse o quão castradas são essas mulheres desde que nascem.
Ah se você soubesse o quanto elas precisam lutar para ocupar o lugar que lhes é de direito.
Ah se você soubesse que o feminismo não é o contrário do machismo.
Ah se você soubesse o quanto é importante falar sobre o empoderamento mesmo quando parece que o assunto está batido demais para época
Ah se você soubesse ressignificar a sua vida, você seria minimamente fã de mulheres.
Ah se você soubesse que elas têm espaço, ao contrário do que você deseja.
Ah se você soubesse que não importe o tempo que leve, a mulher sempre estará pronta para impor-se.
Ah se você soubesse......
Ah se você soubesse que seus argumentos são um desserviço à sociedade....
Ah se você soubesse .....
Ah se você soubesse, machismo opressor e sem fundamentação, o quanto você é desncessário....

Viva o Dia Internacional das Mulheres!
Viva as Mulheres!
Viva a vida!


terça-feira, 25 de outubro de 2016

#EUDEFENDOOCPII

Já é sabido por todos os meus amigos e seguidores que utilizo minha escrita sempre para trazer à tona fatos e assuntos que merecem ser discutidos, em minha opinião.
Hoje não quero discutir!
Hoje eu quero expor o que penso sobre o que tenho lido pelas redes sociais.
Resolveram acabar com a honra daqueles que servem ao Colégio Pedro II. Resolveram acabar com a honra do que é a instituição propriamente dita e também acabar com a honra dos professores e servidores.
Eu poderia direcionar esse texto à FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA como resposta à carta aberta que publicaram, no entanto, prefiro direcionar o meu texto a quem tiver interesse de utilizar as habilidades cognitivas e emocionais a fim de compreender qual é o papel e a função do COLÉGIO PEDRO II.
Antes de tudo quero fazer um comentário: O nome do colégio é PEDRO II, não tem o “DOM”, como a família IMPERIAL escreveu.
Vamos lá, vou apresentar um pouco de mim.
Sou Victor Magalhães, 31 anos, brasileiro, casado e atuo temporariamente, desde abril de 2015, como professor do colégio acima citado.
Desses poucos anos de vida que tenho, dedico-me aos estudos no mínimo há 29 anos, já que ingressei na pré-escola com 2 anos de idade.
Sou Professor M. Sc. em Química; Professor de Inglês, Psicopedagogo e Tutor de duas disciplinas de Ensino de Química do CEDERJ/UFRJ.
Tenho estudado com frequência Inteligência Emocional; problemas de ensino-aprendizagem e algumas coisinhas mais que não precisam ser referidas aqui.
Entrei em sala de aula pela primeira vez aos 15 anos como professor de inglês e aos 17 como professor de Química.
Naqueles momentos pensava ser crucial para minha atuação o conhecimento integral das disciplinas que me propunha a lecionar. E, certamente, logo no segundo encontro com as turmas percebi que o conhecimento específico era de longe o que ia impulsionar-me a fazer um bom trabalho.
Em uma sala de aula há muitos princípios e valores diferentes conversando. Alunos que vêm daqui ou acolá e trazem consigo ideologias diferentes. E é sempre bom lembrar que além dos alunos havia alguém que também trazia princípios e valores diferentes: o professor, no caso eu.
Foi dentro da sala de aula que eu percebi que a escola não tem por única finalidade comportar um santuário do saber e formar as futuras gerações do Brasil, como dizem lá na carta a Família Imperial Brasileira.
Essa finalidade mencionada por eles retrata uma escola positivista que perpetua o conhecimento unilateral e que dá ao professor o status de soberania.
Eu aprendi e percebi em muito pouco tempo de profissão que a escola tem como finalidade viabilizar um ambiente de trocas equalizadas e formar cidadãos críticos aptos a lidar com a DEMOCRACIA.
E pra você que não está inserido na realidade do Colégio Pedro II eu digo: É só isso que fazemos lá.
Lá nós não influenciamos nossos alunos a seguirem nossas ideologias. Pode ser que você não saiba, ou se sabe não aceite, nossos alunos trazem para nós e seus colegas suas ideologias e lá deixamos que eles debatam e confrontem, de maneira saudável, uns aos outros para que se construam em um contexto social.
O regime vigente não prefere agrilhoar, e entendo que nesse caso estão utilizando o verbo bitransitivo e pronominal, nossos jovens no ostracismo destrutivo da ignorância, e isso é notório! Não foram eles que escreveram esses absurdos que tenho lido por aí.
No Pedro II é possível não formar mão de obra como está sendo imposto a nós a todo o momento. Lá nós (re) (trans) formamos a ignorância em saber social, não porque somos melhores ou porque estudamos muito ou porque temos títulos. Fazemos isso porque somos comprometidos e dedicados em “prover” um ensino e educação de qualidade.
De nada nos adiantaria os títulos se não fossemos ignorantes o suficiente para adequar a ignorância em saber.
A você que tenta insistentemente incitar o ódio ao Colégio Pedro II e, portanto a nós, servidores, eu faço um convite:
Aceite sua ignorância como nós a aceitamos e venha pra cá tentar se deixar transformar em alguém que possa oferecer algo melhor a sociedade.
É disso que precisamos.

Forte abraço,

Victor Magalhães, sem títulos e coroas, apenas um PROFESSOR por formação e EDUCADOR por escolha.

sábado, 9 de julho de 2016

Caverna pra quem?!

Olá, meu nome é Astolfo, sou um garoto de 12 anos,  de classe média baixa, estudante, levado e muito curioso.  Minha mãe vive brigando comigo porque minhas notas não estão muito boas.  Normalmente fico na média e em algumas disciplinas minhas notas são realmente baixas.  
Matemática é um castigo pra mim. Ai, tenho que ficar  resolvendo um monte de contas, dividindo números com vírgula, isso é além de difícil, muito chato na minha opinião! 
Eu gosto mesmo é da hora do recreio, de correr de um lado pro outro no pátio, olhar as folhas das árvores balançando com o vento, ver os passarinhos  beberem água e tudo mais. Eu gosto de observar tudo. 
Eu sei contar,  sei calcular quanto custa o meu biscoito preferido e sei também o quanto minha mãe gasta pra comprar feijão.  Lá em casa esse  mês não teve feijão. E sei que isso significa que está caro.  Está fora do que minha mãe pode comprar.  
Minha mãe é secretaria de um consultório médico.  Ela sempre me diz que preciso estudar pra conseguir ir pra faculdade e ter um emprego que me pague um salário bom. Diz que eu posso ser engenheiro, advogado, médico.... 
Mas,  eu gosto mesmo  é de brincar na rua,  observar  quem sobe e desce, gosto de ouvir as conversas entre mãe, pai, marido, crianças... 
Ah! Eu gosto de escrever.  Gosto de ler  também.  Gosto de fazer frases que rimam umas com as outras. 
Mas minha insiste em me mandar ir pro colégio e fazer os deveres de matemática pra melhorar a minha nota. 
Ontem eu fiz tudo que  minha mãe mandou  e fui pro quarto pra escrever, ouvir o barulho do vento contra a janela,  o barulho da água da chuva escorrendo pelo telhado e por ai vai.  
Estava deitado na cama quando de repente peguei no sono e tive um sonho.  
Sonhei que vivia em uma cidade pequena e lá tinha uma caverna com somente uma entrada e outra saída.   Não tinha janelas.   As pessoas que viviam lá precisavam entrar nessa caverna todos os dias durante alguns anos. 
Nessa cidade as pessoas nasciam com formas geométricas na cabeça, algumas nasciam com um triângulo na cabeça, outras com cilindro,  outras com cubo.... 
O moço que tomava conta da caverna tinha um quadrado no lugar da cabeça. 
Eu fiquei observando aquilo tudo.  As pessoas entravam na caverna,  ficavam por lá umas  4h, e quando saiam a figura geométrica da cabeça ia modificando-se.   Eu percebi que as pessoas tinham que frequentar a caverna durante  8 anos por 4 horas a cada dia.   
Eu tive a oportunidade de ver um grupo que estava em seu último ano de frequência a caverna.  
E,  não sei porque, mas achei muito estranho,  que depois dos  8 anos todos que saiam estavam com a forma do quadrado na cabeça.  Igual ao moço que toma conta da caverna. 
Fiquei assustado.  Sei lá.  Isso me lembrou sabe o que? A escola.... 
Acordei com a certeza que não quero ir à escola.  Eu quero ser poeta,   mas a escola não valoriza as inteligências múltiplas. Eu não quero sair com a cabeça quadrada da caverna!   
Acho q vou montar uma caverna pra mim.  Mas nela vão existir muitas janelas e muitos espaços vazios.  
Vou deixar que cada um que frequente a caverna, ocupe o espaço com que achar melhor. 
Eu acho que  não sou muito inteligente, mas tenho um sentimento recorrente de que ninguém sabe tratar de gente. 
E por isso eu reluto e por valorizar a educação me ponho em luto!