terça-feira, 14 de abril de 2020

E quem cuidará da saúde mental de quem cuida de nós?


Hoje, dia 14 de abril de 2020, li uma reportagem em jornal de grande circulação publicada por volta das 17 h informando que o Brasil bateu o recorde do número de mortes por coronavírus em 24h.
Tenho alguns amigos enfermeiros e técnicos em enfermagem que estão, verdadeiramente, em pânico com a situação do rápido contágio pelo vírus.
Além disso, tenho amigos cientistas que também não estão conseguindo lidar com tantas informações ruins, números aterrorizantes e projeções nada acolhedoras para o futuro.

Pensem comigo:
Se nós formos contaminados pela nova doença, os profissionais da área de saúde estarão lá para nos cuidar.
Se eles forem contaminados, seus pares certamente estarão lá para cuidar.
Contudo, é essencial perceber que quem trata de nós é o profissional não contaminado.
E estar não contaminado é excelente!
Excelente em termos de contraponto ao avanço do coronavírus.
Mas, perceba, o profissional não contaminado está na frente do combate o tempo inteiro.
Submetido a condições insalubres de trabalho!

O trabalho dos profissionais de saúde no nosso país, assim como o dos professores, já é normalmente precarizado, mas em situação de pandemia, além da precarização habitual, há a presença do fator psicológico que, aos poucos, deteriora a sanidade mental desses trabalhadores.

A pergunta é:

O que nós, como Estado, estamos oferecendo de suporte psicológico para todas as pessoas que estão envolvidas direta ou indiretamente no processo de pesquisa, tratamento, cura ou profilaxia da doença?

Em outro texto levantei a questão sobre como o isolamento social pode interferir na nossa saúde mental, no entanto, hoje o meu questionamento é mais profundo e crucial:
O que fazer para proteger os profissionais responsáveis por cuidar de nós?

Eles trabalham com os equipamentos de proteção individual (EPI) que estão disponíveis para eles.
Eles têm família.
Alguns retornam para casa extremamente preocupados com suas famílias.
Outros preferem nem retornar.
Os que retornam, certamente, estão em total desespero. Precisam a qualquer custo proteger os seus.
Os que não retornam, certamente, estão em total desespero. Precisam a qualquer custo proteger os seus.

E você?
Continua passeando pela rua para resolver tudo que julga essencial.
Continua acreditando que o coronavírus faz parte de um plano para a implementação do comunismo no planeta.
Continua acreditando que o coronavirus foi inventando pela China.
Continua refutando a ciência.
Continua matando pessoas.

Não! Não adianta aplaudir os profissionais da saúde!
Não! Não adianta só isso!

Indubitavelmente, o “aplausaço” é uma forma legítima de reconhecimento da importância dos profissionais da sáude, mas reconhecer somente na hora do desespero não é bacana.

Indubitavelmente, o “aplausaço” é uma forma legítima de reconhecimento da importância dos profissionais da sáude, mas somente reconhecer não resolve.

É preciso prover dignidade para eles.
É preciso prover saúde mental!
É preciso cuidar!
É preciso!
É preciso .... Políticas Públicas!!!!!

E o Estado?
Alguém viu o Estado?
Eu! A grande cúpula representativa do Estado está em reunião!
Ufa! Que bom saber que eles estão pensando nesses profissionais que morrem a cada dia para nos dar vida....

Não! Não... Eles estão reunidos para falar sobre a economia. A economia importa.... Segundo eles, a morte de pessoas é inevitável para proteger a economia. E eu concordo, disse um conhecido assalariado e pobre.

Você só não vai concordar quando perceber que quem morrerá é você! Na verdade, não vai perceber... Estará morto!

Estará morto você e muitos de nós que sangramos pelo juramento de uma profissão...

Não! A morte é sim parte constituinte do ciclo da vida. Mas trata-la com essa naturalidade em troca de enriquecer mais os ricos e empobrecer mais os pobres não!
Acolha!
Acolha, nesse momento, virtualmente, todos aqueles que estão precisando de apoio.
Acolha, nesse momento, virtualmente, todos os profissionais de saúde que estão precisando de apoio.
Ofereça seu sorriso, o número do seu telefone, seu apoio moral, seu orgulho....
Ofereça o que há de melhor em você para que eles consigam continuar oferecendo o que há de melhor neles.
Acolha, nesse momento, virtualmente, os cientistas que estão ajudando a descobrir informações sobre o COVID.
Acolha, nesse momento, virtualmente, os professores que estão ajudando na disseminação de informações para educar.
Acolha, nesse momento, virtualmente, os jornalistas que estão nos trazendo informações....
E não, o problema não está na manipulação das informações que você insiste em dizer que a mídia faz.
O problema está em você que não possui conhecimento suficiente para elaborar seu ponto de vista e entender qual é a lógica da sociedade capitalista neoliberal.
Vai lá ... Estude!

E você Brasil, o que vai fazer?
E aí Brasil, como resolveremos essa questão da saúde mental daqueles que podem de alguma forma contribuir para o entendimento do que está acontecendo nesse momento?

E você Brasil?

“Brasil, mostra a tua cara
Quero ver quem paga pra gente ficar assim
Brasil, qual é o teu negócio....”




domingo, 12 de abril de 2020

A ordem do dia: VIVER!



Hoje, para aqueles que acreditam em Jesus Cristo, é um dia especial para celebrar a vida. A ressurreição! Para outros, a data é somente comercial. Dia de comprar ovos de chocolate ....
Eu trago uma proposta para vocês que estão me lendo nesse momento:
Aproveitemos, não só hoje, mas sempre para celebrar a vida.
A sua vida.
A nossa vida.
A vida como bem comum.
A vida que importa.
É a sua, é a minha, é a nossa, é a dele, é a deles, é a de todas.
Todas as vidas importam!
Todas as vidas merecem ser celebradas!
Todas as vidas merecem o sabor de viver!
Viva! Viva intensamente!
Viva!
Transforme-se!
Adeque-se!
Faça se adequar!
Observe pouco. Viva mais!
Se não há transformação, não há vida! Então viva!
Transforme-se!
Reinvente-se!
Viva!
Não sobreviva! Viva!
Você merece viver!
Eu mereço viver!
Eles merecem viver!
Nós merecemos viver!
Todos merecem viver!
Toda vida importa!
Ah, a vida?
A vida é um sopro... A vida é um pássaro... ela voa! Voa para longe nós! Voa rapidamente! Voa para perto de nós!
A vida oferece a oportunidade de nos repensarmos o tempo inteiro... Reinvente-se... Viva!
Sua vida importa!
Transforme-se! Olhe para o lado e aprenda!
Aproprie-se da sua vida e deixe a vida do outro!
Viva a sua vida e deixe o outro viver a vida dele!
Olhe para o lado e se aproprie do saber e não do lugar que não é seu!
Olhe para o lado e viva!
Aproprie-se da sua vida.....
Viver é uma surpresa.... As vezes dói. Na verdade, muitas vezes dói.
Dói em você!
Dói em mim!
Dói em nós!
Dói neles!
Dói em todos!
Será que tem que doer para ser vida? Não sei!
Mas se doer .... Divida... Compartilhe.... Fale sobre a sua dor!
Você não merece que doa... Ninguém merece sentir dor, seja ela qual for.
Vai doer?
Sim
E se doer?
Compartilhe, fale sobre a sua dor..... é na sua fala que a dor se esvai e o amor emerge....
Fale para quem você ama.... Você não vai incomodar.... Você vai viver...
Viver é isso....
Dividir...
Compartilhar.....
Estabelecer relações....
Desfazer relações e reestabelecer relações, por ventura.
Viver traz felicidade e tristeza....
Se for felicidade?
Compartilhe....
Se for tristeza?
Fale sobre a sua tristeza, suas tristezas!
Você não merece estar triste... Ninguém merece ficar triste, seja por qual motivo for.
Você vai ficar triste?
Sim
E então?
Fale sobre sua tristeza... Comigo... Com ele... Conosco.... Com todos!
É na sua fala que a tristeza se esvai e que o amor emerge.
Viver é amar!
Amar a si mesmo, ao próximo!
E se há alguém que te diga tudo ao contrário do que estou te dizendo aqui, então, preste atenção:
Esse alguém não sabe viver!
Esse alguém deve estar triste!
Esse alguém deve estar com dor!
Então, você vai fazer um favor: ENSINE esse alguém a viver!

Sorria para ele!
Sorria com ele!
Sorria conosco!
Sorria com o mundo!

Rememore todas as oportunidades que a vida já ofereceu e entenda que ela vai te oferecer muitas ainda....
Se estiver difícil para você.... Respire, compartilhe, converse, transforme-se....
E isso ninguém faz sozinho... Faz com outro alguém que viva...
Vivamos intensamente!
Vivamos com responsabilidade!
Vivamos por ontem, por hoje e para sempre.

Viva com muito orgulho do que você é.....
É seu passado que legitima seu presente e seu presente é o que te impulsiona para o futuro.

Viva de verdade!
Viva além da falsa vida das redes sociais!
Viva e se perceba....
Viva, pois você é importante!

Viva, viva, viva!!!!!
Celebre a vida e viva!
Viva por mim!
Viva por você!
Viva por nós!
Viva por eles!
Viva por todos!

E se por alguma razão esse confinamento no qual estamos inseridos está fazendo você pensar que está sozinho ou que não é importante, eu te lembro:
Você é importante para mim!
Você é importante para você!
Você é importante para nós!
Você é importante para eles!
Você é importante para todos!

Lembre-se disso e faça todos a sua volta lembrar disso também!
Nossas vidas importam!
Todas as vidas importam!

Celebremos a vida. A sua, a minha, a nossa, a deles, a de todos!

Bom domingo!
De páscoa!
De vida!
De amor!
De sabedoria!

Fique em casa, mas, por gentileza, viva!

Sua vida é importante!

Victor Magalhães


quinta-feira, 9 de abril de 2020

Coronavírus, Educação à distância, Educação domiciliar (Homeschooling) e o desespero


Não sei se começo esse texto rindo daqueles, cidadãos de bem, que outrora lutavam pelo tal homeschooling ou se inicio chorando pelos meus colegas de profissão que conhecem bem a realidade da educação em um país gerenciado pela absurda insensatez.
            Lembro-me de quando o Excelentíssimo Presidente da República assinou o projeto de lei que regulamentava o ensino domiciliar no Brasil acreditando que essa modalidade de ensino já era uma realidade no país, contudo sem lei que regulamentasse os requisitos mínimos necessários para a efetivação desse. Nessa modalidade os pais assumem o papel de tutores/mediadores do processo de ensino e aprendizagem dos seus filhos.
Uma pergunta: Queridos papais e mamães, estão gostando de ensinar seus filhos? Alunos doces, compreensíveis, educados, oriundos de famílias de bons costumes e excepcional moral? É tão fácil ensinar, não é?  Para ser professor nem precisa de formação, não é? Basta amor, dedicação e uma bíblia debaixo do braço, correto?
Acorda estrelinha do bem !!!!!
Deixa-me pontuar algumas questões para facilitar o seu entendimento, ok?
Mas há algo importante que você família tradicional brasileira precisa saber antes. Você precisa saber por quais motivos eu me sinto no direito de esclarecer essas questões. Você precisa saber por quais motivos estou me dando o direito de ocupar esse lugar de fala, certo?
Como já sabem, sou Victor Magalhães, licenciado em Química, especialista em Psicopedagogia Institucional, Mestre em Química, Doutorando em Ensino de Ciências. Atuo como professor de Química e Ensino de Química no curso de Licenciatura em Química de um Instituto Federal do Rio de Janeiro. Tenho experiência em pesquisa na área de formação de professores, identidade docente, currículo e práxis pedagógica. Sou também coordenador voluntário do Programa Residência Pedagógica. Programa esse que é fruto de uma política pública de incentivo à formação de professores. Atuei durante 5 (cinco) anos como tutor de Educação à distância na maior universidade pública do Rio de Janeiro.
Bom, agora que já sabe um pouquinho mais sobre a minha formação em balbúrdia e orgias, vou te dizer que a loucura envolvida no tal homeschooling se deve à construção de uma identidade coletiva sobre a profissão docente:
A noção de que para ser professor o que menos importa é a formação e o estudo. Os requisitos mínimos, diante desse contexto, para ser professor são: dom, amor, dedicação, estar disposto a sofrer e estar disposto a ganhar pouco.
Essa normalmente é a fala da “sociedade” quando alguém admite querer ser professor. O diálogo é mais ou menos assim:
“Sociedade”: E aí, o que você quer fazer da vida?
Futuro professor: Quero ser professor!
“Sociedade”: Ah que pena! Vai ganhar tão pouco! Não vai ser respeitado! Mas você realmente fala muito bem, tem o dom. É isso aí ... Boa sorte!

Ser professor é muito mais do que ter dom.
Ser professor é muito mais do que ter amor.
Ser professor é muito mais do que ter dedicação.
Ser professor não é ter nascido para sofrer.

Para ser professor é necessário fazer educação. É necessário entender qual é a sua função social. É necessário entender qual é a função social da escola.
Quando você, papai e mamãe, que brada para os 4 cantos do mundo que pode ensinar seu filho em casa, entender esses três pontos, certamente, vai desistir de insistir na ignorância da educação domiciliar nos moldes propostos até o momento.
Preciso também esclarecer que educação domiciliar é diferente de educação à distância (EAD). A primeira modalidade dispensa a presença do professor, já a segunda tem a presença do professor como mediador, além do uso de recursos tecnológicos.
Em se tratando da EAD há também diversas questões a serem apontadas para reflexão.
A primeira delas é que no nosso país não existe formação de professores habilitados para atuar com essa modalidade de ensino. Isso é um fato!
Outro aspecto é que EAD não se faz colocando alunos em frente ao computador para assistirem professores cuspindo conteúdos ao vivo como se estivessem em aula presencial. Essa ação não consiste só em um erro, como também em um atentado à saúde do professor e do aluno. A exposição à luz dos aparelhos eletrônicos durante horas seguidas, assim como a ergonomia são fatores que precisam ser discutidos.
Além disso, a EAD, em um país periférico como o nosso, reforça as desigualdades sociais que se impõem em virtude do acesso aos recursos tecnológicos que a maioria das pessoas insistem em dizer que todos possuem. Essa não é a realidade. Muitos alunos estão em situação de quase miséria. Não possuem computadores, celulares... Eles não têm comida, minha gente!
Você que apoia a EAD já parou para refletir sobre o fato de que muitos professores e alunos não têm conhecimento de informática necessário para trabalhar com essa modalidade de ensino.
            É importante ressaltar também que o currículo para a EAD é e deve ser diferente que o currículo para o Ensino Presencial. Não adianta usar o currículo tradicional à distância. Não funciona!
            Assim, não haverá construção de conhecimento. Só haverá um professor cuspindo conteúdo e um aluno memorizando temporariamente o conteúdo cuspido. É a tal da educação bancária.... Mas você que apoia todos esses absurdos não deve saber o que é educação bancária, já que sua ignorância refuta Paulo Freire mesmo sem saber quais foram as belíssimas contribuições dele para e na Educação, de forma geral.
            Uma pergunta: Você acha que realmente nos tempos em que estamos vivendo, devemos dar aulas à distância para seus filhos sobre os conteúdos tradicionais? Regras gramaticais, distribuição eletrônica, progressão geométrica.....?

            Será que não é tempo de significar o momento que estamos vivendo?
Será que não é momento de significar a solidariedade?
Será que não é momento de significar a justiça social?
Será que não é momento de significar a ignorância daqueles que discordam do isolamento social?
Será que não é momento de significar a blasfêmia do químico autodidata?
Será que não é momento de significar as fake News?

Meus queridos, se você pensa que o currículo tradicional deve ser abordado em virtude da mensalidade do colégio que está pagando ou do cumprimento dos dias letivos obrigatórios para que você não perca a oportunidade de viajar e curtir suas férias quando tudo isso passar, eu preciso te dizer que você não entendeu absolutamente nada. Absolutamente nada sobre educação, sobre mundo, sobre ser, sobre existir...
Você não entendeu nada assim como os políticos que exigem a prática dessa modalidade de ensino nas escolas públicas.
Você já pensou que professores também possuem família? E que para dar aula para o seu exemplar filho ele terá que deixar de significar um monte de coisas para a sua família?
Você já parou para pensar que em momentos de confinamento preservar a saúde mental de todos é prioridade? E que os professores fazem parte desse grupo que chamamos de todos!
Você já parou para pensar que não sabe nada sobre educação, sobre ensino e que por isso não tem o direito de dizer a nós, professores por formação, o que devemos fazer?

Eu sou professor!
Eu sou professor formador de professor!
Eu sou professor e o meu trabalho ao longo dessa caminhada é tentar formar professores que entendam a educação como recurso de emancipação social.
Eu sou professor e tento formar professores que saibam significar contextos e situações com a intenção de diminuir a ignorância e execrar a burrice!
Eu sou professor e faço educação para a democracia. Fascistas não passarão!
Eu sou professor e faço educação para a liberdade!
Eu sou professor, e você estrelinha?


FIQUE EM CASA!

Por Victor Magalhães

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Pandemia, isolamento social, ciência e senso comum


         Em tempos de COVID-19, isolamento social, novas rotinas, novos hábitos, desespero, incerteza, insegurança, medo, insanidade, arrumação de casa, lavagem de roupas, pano molhado com água sanitária, esperança, álcool gel, medo, notícias, notícias falsas, resiliência, home office, homeschooling, filhos, EAD, pais desesperados, professores youtubers, higienização, água e sabão, álcool gel, comunidades sem abastecimento regular de água, socorro, saúde pública, desespero, incerteza, ministério da saúde, OMS, isolamento social, quarentena, respiradores, medo, notícias falsas, insegurança, falta de sanidade mental, discurso genocida, panelas, aplausos, gado, álcool gel, senso comum, governo do estado, relaxamento das medidas de isolamento, descrença, medo, água e sabão, pessoas em situação de rua, empreendedores pobres, economia, novos hábitos, pessoas podem morrer para salvar a economia, pandemia, desconhecimento, senso comum, medo, álcool gel, CIÊNCIA.
            Há de se entender, e já antecipo meus pedidos de desculpa para quem não concordar com a minha fala, que o senso comum também é senso. É legítimo. É o conhecimento experiencial. Conhecimento adquirido através das observações do mundo. Por isso, ressalto, senso comum também é senso. No entanto, senso comum também está inserido no campo do “achismo”, da opinião, da liberdade de expressão que temos em uma democracia, mesmo que jovem como a nossa. E senso comum não refuta a ciência.
SENSO COMUM NÃO REFUTA A CIÊNCIA, mesmo que você pense que sim. Lembre-se que a sua opinião não é valiosa quando estamos vivendo um momento de calamidade pública. A sua opinião não é valiosa para a coletividade quando não se fundamenta em artifícios e verdades científicas.
            A única maneira de resolver ou tentar, pelo menos, resolver problemas de saúde pública é utilizando a ciência. Enfrentar o COVID 19, que está longe de ser uma gripezinha ou um resfriadinho, como homem é enfrenta-lo com a ciência e não com a ignorância ou com o senso comum.
            Não, eu não estou dizendo que quem não é cientista não possui lugar de fala e que sua opinião ou seu achismo não deve ser considerado. Eu estou dizendo que em momentos de calamidade pública, estado de guerra, o conhecimento adequado é aquele aceito cientificamente. Se você não sabe sobre Ciências, mantenha-se calado e acate as recomendações dos cientistas.

“Seja menas” “Seja menas gado!”

            Você pode até não gostar da Rede Globo, mas acreditar que ela manipula evidencias científicas escancaradas para derrubar seu chefe de estado que possui um discurso genocida (quando informa que o isolamento social é besteira) transcende a ignorância.
            Existem dois conceitos importantíssimos que você deve saber para que sobrevivamos e resistamos a esse momento extremamente difícil: RESPONSABILIDADE SOCIAL e CONSCIÊNCIA DE CLASSE.
            A responsabilidade social, dentre muitas outras atribuições, vai impedir você não só de sair de casa em virtude da vida do próximo, como também vai impedir você de publicar aquela foto de um prato de comida lindo nas redes sociais em que você possui amigos que estão em situação de quase miséria.
            A consciência de classe vai te mostrar que mesmo que você ganhe 50.000 reais, se você tem um chefe, você é POBRE!
            Perceba que a preocupação dos governantes com a economia se dá simplesmente pelo fato de que com o isolamento social quem para é a classe trabalhadora. São os trabalhadores que movimentam tudo.
            Você entende o que isso significa ou a sua opinião e achismo funcionam como vendas em um cavalo?
            A economia será recuperada um dia, mas a vida dos que se expuserem a essa doença não. E sim, a vida importa. É a sua opinião que incentiva o total desprezo com a vida do próximo.  É a sua opinião que permite assassinar pretos, pobres, moradores de comunidade, Marielles...
É sim a sua opinião que refuta as ciências sociais. As ciências sociais tentam explicar profundamente essas relações de poder e classe social, mas estamos permitindo há tempos que o senso comum sobreponha essas ciências.
É sim a sua opinião que refuta as ciências médicas. Que refuta as considerações da OMS. É sim a sua opinião que vai matar um grande número de pessoas se você insistir que o isolamento social é besteira.

Senso comum é até senso, mas a ciência, ah, a ciência....
A ciência salva vidas......

Sem a ciência:
Em tempos de COVID-19, isolamento social, novas rotinas, novos hábitos, desespero, incerteza, insegurança, medo, insanidade, arrumação de casa, lavagem de roupas, pano molhado com água sanitária, esperança, álcool gel, medo, notícias, notícias falsas, resiliência, home office, homeschooling, filhos, EAD, pais desesperados, professores youtubers, higienização, água e sabão, álcool gel, comunidades sem abastecimento regular de água, socorro, saúde pública, desespero, incerteza, ministério da saúde, OMS, isolamento social, quarentena, respiradores, medo, notícias falsas, insegurança, falta de sanidade mental, discurso genocida, panelas, aplausos, gado, álcool gel, senso comum, governo do estado, relaxamento das medidas de isolamento, descrença, medo, água e sabão, pessoas em situação de rua, empreendedores pobres, economia, novos hábitos, pessoas podem morrer para salvar a economia, pandemia, desconhecimento, senso comum, medo, álcool gel.

            Com a ciência:
Em tempos de COVID-19, isolamento social, quarentena, novos hábitos, novas rotinas, vacina, medicamentos, menor velocidade de contágio, respiradores, EPIs, álcool gel, hospitais, universidades, vidas importam, vidas salvas.....

Faça-me um favor:

FIQUE EM CASA!

Por Victor Magalhães.